Desafios da pandemia: um ano de Home office
Imagem: Pixabay.com

Desafios da pandemia: um ano de Home office

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Entre março e abril de 2020 as empresas no Brasil mandaram seus funcionários para casa em função da disseminação da Covid-19 no país. O trabalho à distância, até então restrito a poucos setores, se generalizou de um dia para o outro e impôs adaptações. Nesse período, muitas companhias apontaram ganhos de eficiência. Já outras, relatam que percebem diferentes fases dos funcionários que em um primeiro momento estavam movidos a adrenalina, de estar experimentando algo novo junto com um grupo, depois veio o momento da difícil dissociação de quando terminava o trabalho e era hora de descansar em casa, até a fase do esgotamento por estar tanto tempo em casa sem saber de fato quando seria possível voltar a vida normal, o que vem comprometendo o rendimento de algumas formas.

Especialistas apontam que é preciso considerar todo o desgaste emocional gerado por este momento de isolamento, que torna o processo do home office ainda mais complexo, já que não se trata apenas de trabalhar em casa, mas também de conviver com todo o entorno.

No entanto, o que fica claro é que entre erros e acertos, o teletrabalho veio para ficar, mesmo que seja em modelo híbrido. E os dados comprovam os benefícios. O Instituto Sapiens, da França, publicou um relatório indicando que o trabalho remoto não apenas impediu o pior na economia do país, evitando uma queda de mais 9% do PIB, como se mostrou uma fórmula eficaz para elevar a produtividade em 22%. Aqui no Brasil muitos empregos também foram salvos pela possibilidade de fazer de casa.

A startup Crawly, de automação de dados, adota o modelo desde a sua fundação e vê resultados positivos. “Eu conheci os dois formatos. Primeiro atuando em empresas com modelo tradicional e depois sendo gestor na Crawly, com 100% de trabalho remoto. Embora a gente sempre tenha adotado o home office, posso dizer que funciona, pois tivemos um crescimento de quase 500% no faturamento entre 2018 e 2020, e a projeção para 2021 é de mais 50%.

Outra vantagem é que durante os processos seletivos contamos com um pool de candidatos do Brasil inteiro – e até alguns de fora, como já foi o caso. Isso nos traz vantagem competitiva, pois temos maiores e melhores opções na hora de contratar”, conta João Drummond, CEO da empresa.

Embora os resultados sejam positivos, também existem desafios. “Home office em geral requer um nível de maturidade individual maior que o modelo tradicional, presencial. É necessário estar atento não somente aos critérios técnicos, mas também aos de personalidade – a equipe tem maturidade suficiente para lidar com modelo remoto? As pessoas são individualmente responsáveis e auto suficientes? Existem pessoas na equipe que requerem uma atenção individual maior e que talvez tenham dificuldade em evoluir com a transição para um modelo remoto, por isso temos um acompanhamento direto e periódico com cada pessoa do time, para entender o momento de cada um e proporcionar o melhor ambiente de trabalho possível”, observa João.

Com equipes em diferentes estados, incluindo São Paulo, Santa Catarina, Minas Gerais e Rio de Janeiro, a Crawly encontra como um dos principais desafios a comunicação. Eles apontam que normalmente é mais “burocrática” em um modelo remoto do que no presencial. “Não dá pra ir até a cadeira do colega e fazer uma pergunta, por exemplo. Adicionalmente, são necessárias ferramentas e processos de comunicação mais explícitos do que nas empresas presenciais”.

Sobre o futuro, João acredita que não somente as pesquisas já mostram que são modelos mais econômicos, mais produtivos, escaláveis e sustentáveis, como também é tendência cada vez maior em relação à valorização da equipe.

Alguns pontos de atenção e dicas de como minimizar:

  • Liderança – Se fazer presente, ouvir as necessidades dos funcionários e ter empatia para entender o momento atual. Para ter uma equipe motivada e produtiva, é importante se empenhar na construção de relacionamento, de confiança, de conexão entre as pessoas.
  • Tecnologia – oferecer aparatos e ferramentas de tecnologia que ajudem no dia a dia. Soluções que ajudam com a organização do trabalho podem melhorar o foco dos funcionários e também auxiliam no controle dos gestores, sem precisar uma cobrança diária.
  • Solidão – Não ter companhia de colegas de trabalho pode ganhar contornos negativos. Nesse momento é importante fortalecer o sentimento de pertencimento e assim ganhar o engajamento e a produtividade de seus funcionários.

Fonte: Portal Nacional de Seguros